Com início marcado para as 20h55, a abertura de palco coube aos canadianos e companheiros de tour Cancer Bats. No entanto, já passava das 21h00 quando a bandade“Sabotage” deu início ao espetáculo.

Com um rock pesado e hardcore quanto baste, a sala 2 do antigo Mercado Ferreira Borges, nem a meio da lotação se encontrava, mas, como se costuma dizer, de poucos mas bons se fez a primeira parte dos tão esperados Enter Shikari. Entre elogios e ovações ao público presente, Liam Cormier, o vocalista da banda originária de Toronto, agradeceu a energia da assistência, reforçando a ideia de que são sempre muito bem recebidos quando visitam a cidade nortenha e que o público é sempre“motherfucking beautiful”.

Entre moches e amassos fortes, os Cancer Bats terminaram o primeiro concerto da tour europeia com um públicojábem quente.

Aos poucos e poucos, mais alguns se foram aventurando e chegando timidamente perto das grades que rodeavam o palco. Gente vestida com tons escuros, compiercings e tatuagens em abundância, de cigarro e copo de cerveja na mão, aguardava pela banda deRoughton “Rou” Reynolds. As luzesapagaram-sepouco depoise, à medida que os instrumentos eram montados em palco, ouvia-se uma gravação com uma contagem decrescente. Com um medleyque misturavasons rock, jazz e até blues, minuto a minuto uma voz nos dizia quanto tempo faltava para o início do espetáculo. Durantedez minutos foi assim, até que, com jogos de luzes e focos, Reynolds entra em palco, aos saltos, enérgico e pronto para um espetáculo sem momentos mortos.

De gorro verde alface, saltou até não conseguir mais e, poucas músicas após o início do show, ainda com os fotógrafos no pit, de câmaras em riste, passou por cima de tudo e todos e atirou-se, de corpo e alma (literalmente), para cima dos fãs, num crowdsurfing que maravilhou os fãs e valeu a um sortudo o gorro verde do vocalista. Claro está que, depois de voltar para o palco e já com a respiração mais controlada, perguntou quem tinha ficado com o seu chapéu e pediu para o devolverem, sempre com um sorriso na cara e uma enorme onda de simpatia para com os fãs.

Música após música, a energia tornava-se cada vez mais contagiante e, de salto em salto, a loucura foi tanta, que houve tempo para um pequeno incidente em palco, comLiam Clewlow, guitarrista da banda,a acertaracidentalmente, devido ao entusiasmo efusivo de ambos, com o braço da sua guitarra no nariz do vocalista, que teve de se ausentar por uns segundos para conseguir controlar o sangramento que o impacto causou. Enquanto isso, num tom de brincadeira, ede forma adar tempoà recuperação do vocalista, o baixista Chris Batten fez questão de se certificar que a guitarra do colega estava em condições, realçando o facto de nem sequer terhavido uma desafinaçãoapós a pancada.

Nenhuma mazela mais grave ficou do sucedido e o concerto continuou ainda com mais energia. Já corria mais deuma horade concerto quando os britânicos deixaram o palco, para regressarem poucos minutos mais tarde, com “Constellations” a marcar o início do encore.

De elogio em elogio, e com a energia sempre a mil, os Enter Shikari terminaram o primeiro concerto dadigressão europeia com a promessa de regressar em breve, para abanar os palcos nortenhos.

SETLIST

System/Meltdown
Sssnakepit Remix
Antwerpen
Gandhi Mate Gandhi
Sorry You’re Not a Winner
Destabilise
Return To Energiser
Warm Smiles
Gap In The Fence
Juggernauts
Arguing With Thermometers
Mothership
ENCORE
Constellations
Pack Of Thieves
Zzzonked

Texto e fotografia: Marta Ribeiro