
A programação do Auditório de Espinho para o segundo trimestre de 2025 inclui o pianista Mário Laginha a evocar Carlos Paredes, os cantores americanos Mark Eitzel e Joan As Police Woman, e a estreia nacional do sul-africano Nduduzo Makhathini.
Segundo a direção dessa sala do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, o cartaz de abril até final de junho propõe ainda a banda dinamarqueses Efterklang, as orquestras Clássica e de Jazz de Espinho, a cantora espanhola Lorena Álvarez com o Projeto Benjamim e teatro para diferentes idades.
“O Auditório terá muito jazz, muita música independente, teatro, novo circo, música erudita e bastantes espetáculos inéditos ou com colaborações originais, de criação própria, porque gostamos de colocar a nossa marca em alguns dos concertos que apresentamos, através das escolas artísticas que funcionam no mesmo edifico”, declarou à Lusa o programador da casa, André Gomes, referindo-se à Academia de Música de Espinho e à Escola Profissional de Música de Espinho (EPME).
Com grande parte dos concertos já esgotados, o Auditório dá início à referida programação com Mark Eitzel. Em Espinho, o artista recordará temas dos 17 álbuns da sua carreira, com arranjos especiais para acompanhamento por um octeto de cordas constituído por alunos da EPME e do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga.
Dois outros espetáculos obedecem ao mesmo espírito pedagógico: Lorena Álvarez atuará com o Projeto Benjamim, coletivo de estudantes da EPME que acompanhará a cantora espanhola no seu cruzamento de música tradicional asturiana com contemporaneidade; e os dinamarqueses Efterklang atuarão com um ensemble vocal da mesma escola, num concerto sobre os 20 anos de carreira que essa banda indie celebrou em 2024.
Segue-se Mozart numa performance conjunta da Orquestra Clássica de Espinho e do Coro Sinfónico Inês de Castro, na Igreja Matriz da cidade, no âmbito da programação “Fora de Portas”, após o que o público regressa à plateia convencional para o concerto em que Mário Laginha se junta ao saxofonista Julian Argüelles, ao contrabaixista Romeu Tristão e ao baterista João Pereira para assinalar o centenário do guitarrista Carlos Paredes (1925-2004), que compôs obras emblemáticas da música portuguesa como “Verdes Anos” e “Movimento Perpétuo”.
Joan Wasser, mais conhecida pelo nome artístico Joan As Police Woman será a protagonista seguinte, no seu regresso à Europa para o que André Gomes classifica como “uma retrospetiva das canções mais importantes de uma já longa carreira”, e depois o palco passa ao teatro, com a companhia Trigo Limpo a apresentar “Frida Kahlo, a filha da grande manhã”, em que escritos da artista mexicana desvendam o percurso de uma mulher que “nunca pretendeu ser endeusada”, mas se tornou um ícone pela sua “emancipação sem estereótipos nem preconceitos”.
Ainda no mesmo universo artístico, o Auditório recebe depois: “Rekitó”, um espetáculo musico-teatral para crianças e famílias, pela companhia Libercirco; “O pacto do pescador”, uma evocação das práticas piscatórias do Douro pelo coletivo Teatro e Marionetas de Mandrágora; e “Na floresta”, uma viagem infantil noturna pelas Marionetas do Porto.
O restante cartaz prossegue com “A música de Bob Brookmeyer” pela Orquestra de Jazz de Espinho, Jovens solistas da EPME pela Orquestra Clássica de Espinho e a estreia com data única de Nduduzo Makhathini, pianista, curandeiro e educador Zulu que André Gomes diz “amplamente aclamado pela genuína transcendência espiritual da sua música” e “um dos nomes em maior ascensão no jazz atual”.
Para terminar o segundo trimestre do ano, ao Auditório de Espinho resta o concerto de Bad Plus, trio norte-americano de jazz rock descrito como “uma das bandas mais originais da atualidade” pelo seu “ousado sentido de criatividade e intenção”, e ainda a exposição coletiva “Dó Ré MIEI”, com vários trabalhos sobre música assinados por 14 alunos do Mestrado em Ilustração, Edição e Impressão da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
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